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Memorial em homenagem ao médico e pesquisador Carlos Chagas é reinaugurado em Lassance/MG

on 09 Julho, 2019

Em um pequeno laboratório dentro de um vagão do trem da Estrada de Ferro Central do Brasil, no município de Lassance em Minas Gerais, o médico e pesquisador Carlos Ribeiro Justiano Chagas começou a desenvolver os primeiros trabalhos que possibilitaram a descoberta da doença de chagas. Em princípio, o médico foi enviado por Oswaldo Cruz com o objetivo de coordenar atividades de combate à malária, mas suas pesquisas o fizeram descobrir outra enfermidade. A descoberta foi reconhecida em nível mundial e a trajetória do pesquisador é  retratada em um  memorial, que passou por reformas e foi reinaugurado na cidade, no dia 27 de junho de 2019.

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“Ele revolucionou a medicina ao descobrir, descrever e propor formas de controle para a Doença de Chagas”, destaca Lileia Diotaiuti, pesquisadora do Instituto René Rachou, que é a unidade regional da Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais. Ela também desenvolve trabalhos relacionados a Triatomíneos, que são os vetores da Doença de Chagas.

Em 2019, o anúncio da descoberta da doença completou 110 anos. Segundo a Fiocruz, a doença afeta de seis a sete milhões de pessoas em todo o mundo, com cerca de dez mil óbitos por ano. A enfermidade causa várias consequências irreversíveis nos sistemas cardiovasculares de 20 a 30% dos indivíduos infectados.

“O acervo do Memorial conta com instrumentos usados por Carlos Chagas, como pipetas, microscópio, exemplares de barbeiro. O local onde foi instalado era usado pelo médico depois que ele deixou o vagão, onde ele fazia experimentos e se dedicava a desvendar a nova doença”, fala o Secretário de Saúde de Lassance, Atlos Cacio de Souza Pereira Gomes.

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Por volta de 1908, Carlos Chagas identificou uma nova espécie de parasita no sangue de um sagui, comum na região de Lassance. E seguindo as observações feitas pelo chefe dos engenheiros da Estrada de Ferro, o médico capturou alguns insetos, que se alimentavam de sangue. Eles eram popularmente chamados de barbeiros e picavam as vítimas no rosto, enquanto dormiam. Eles eram comuns nas moradias improvisadas, muitas vezes sem reboco e cobertas com capim.

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“A medida que o processo de expansão da fronteira agrícola e da conquista de territórios acontecia, apareceu também essa enfermidade de origem silvestre, que acometia os trabalhadores que atuavam na construção da Estrada de Ferro. Carlos Chagas era muito curioso e dotado de qualidades espetaculares. Muito observador, passou a acompanhar os pacientes e descreveu a doença com precisão”, diz Lileia Diotaiuti.

Depois do trabalho feito em Lassance, a pesquisa sobre a doença de chagas foi ampliada para outros lugares e casos da doença foram verificados também em outros países, reforçando a descoberta do médico Carlos Chagas.

Estigma a ser esclarecido:

Devido a descoberta da doença de chagas ter acontecido no município de Lassance, um estigma foi criado em torno do município, como destaca Cláudia Gontijo, responsável pelo Programa de Vigilância Epidemiológica. De acordo com a Secretaria de Saúde, há mais de 20 anos nenhum novo registro foi feito. “Nós não temos novos casos registrados da doença, disponibilizamos agentes de endemias que fazem o controle do vetor no município, além de 15 postos de informação, onde a população recebe orientações. Quando encontramos um barbeiro em uma casa, por exemplo, fazemos uma vistoria completa no imóvel e no terreno, além de aplicação de inseticida, quando necessário. O barbeiro também é recolhido e enviado para análise, os pacientes também podem ser submetidos a exames”, destacou.

A diferença dos tipos de barbeiro encontrados atualmente e na época de Carlos Chagas é um reflexo de uma mudança importante e que precisa ser considerada, como afirma a pesquisadora Lileia Diotaiuti, que considera o barbeiro um indicador de mudança ambiental. “Quando a descoberta foi feita, o município de Lassance tinha florestas densas e níveis de umidade diferentes. Com o desmatamento atingindo níveis críticos nos últimos 20 anos, houve uma substituição das espécies, que se adaptaram ao clima árido e menos úmido. Umidade está relacionada à água, podemos perceber que os municípios perderam nascentes e um dos desafios que nós estamos enfrentando é a criação de estratégias para protegê-las e recuperá-las”, enfatiza.

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O memorial está aberto ao público de terça-feira a sábado, entre 12h e 18h, e aos sábados, das 8h às 12h.